Várias dicas sobre carreiras e empregos: “Devo largar tudo para investir na Bolsa de Valores?”

Max Gehringer é especialista em carreiras e empregos e autor de dez livros sobre o mundo empresarial, fala se deve largar tudo para investir na Bolsa de Valores, Sobre o currículo certo para determinadas vagas, e mais.

Confira as dicas:

Há três anos, impressionado com os ganhos da Bolsa de Valores, deixei meu emprego e decidi me tornar um investidor. Acreditava que poderia me dar bem também no mercado financeiro. A queda da Bolsa me pegou desprevenido. Estou em má situação financeira e não consigo emprego. Tenho 54 anos. Devo dizer nas entrevistas de emprego que fracassei e me arrependi?
Sim, deve. E pode acrescentar que aprendeu na pele que o fato de alguém ser bom em uma área não significa que será bom em qualquer outra. Sua história é um alerta a quem se atira numa atividade de risco, em que poucos ganham muito. Seu caso é ainda mais grave porque, sendo novato, empenhou todo o patrimônio conseguido ao longo da carreira.

Outro leitor, executivo de 41 anos, escreveu contando uma história similar: decidiu investir o dinheiro na construção de prédios populares para viver de aluguel. Sem experiência no ramo, faliu em dois anos e está encontrando dificuldades para retornar ao mercado. Arriscar tudo em um setor no qual nunca atuou até pode dar certo, mas as chances de dar errado são bem maiores.

O diretor de minha área instituiu a “reunião da base da pirâmide”: uma vez por mês, nós, colaboradores, vamos poder colocar em pauta temas que nos incomodam. Meus colegas e eu temos muitas reclamações, mas vamos correr riscos se formos muito sinceros?
Entre vocês e o diretor deve haver no mínimo um grau hierárquico, possivelmente dois. O mais sensato seria vocês debaterem antes com seus superiores diretos o que vão levar à reunião. Acredito que seu diretor tenha a melhor das intenções, mas vocês correm o risco de criar ainda mais problemas caso abordem temas que nunca discutiram com seus chefes imediatos. Sugiro que vocês levem à primeira reunião assuntos que não incluam relações interpessoais (trocar o ar-condicionado, por exemplo). Depois, dependendo das providências que o diretor tomar, aumentem as reivindicações até chegar às que realmente interessam.

Dois amigos e eu somos sócios numa pequena empresa de informática. Fomos surpreendidos porque uma rede nacional propôs comprar nossa empresa. Estamos dispostos a vender, mas não sabemos como calcular quanto ela vale.
A maneira mais fácil é dez vezes o lucro líquido anual, antes do pro labore dos sócios. Assim, vocês receberiam de uma só vez o que levariam dez anos para ganhar. Porém, se a empresa vem crescendo mais de 30% ao ano nos últimos cinco anos, vocês podem usar o fator 20 em vez de 10. Certamente, a rede vai tentar barganhar. Aí, é uma questão de ver quem negocia melhor.

As empresas podem instalar câmeras para vigiar os empregados?
Sim, podem, nas áreas comuns de trabalho, onde os empregados estarão fazendo o que são pagos para fazer, ou seja, trabalhar. Câmeras só não podem ser instaladas nos locais em que vão provocar constrangimento (banheiros e vestiários, por exemplo).

“Cada vaga exige um currículo único”

Sempre fui vendedor, mas me formei em Direito e estou fazendo pós-graduação. No momento estou desempregado e não consigo passar em processos seletivos para vendedor porque os recrutadores alegam que eu pediria a conta assim que encontrasse uma vaga na área jurídica. O que devo fazer? Elimino minha formação do currículo?
Sim, elimine. Um currículo deve ser apropriado para a vaga que você deseja. Então, faça dois currículos: um para a área de vendas (em que sua experiência prática será relevante) e outro para eventuais vagas em áreas administrativas ou jurídicas, aí, sim, com os cursos de graduação e pós.

Trabalho em uma empresa de telemarketing. Temos restrições absurdas – para não dizer constrangedoras – para nos ausentarmos de nosso posto de trabalho. Para ir ao banheiro, precisamos de autorização prévia, e o tempo é controlado pelo encarregado. Como esse é meu primeiro emprego, pergunto: todas as empresas são assim?
Nem de longe. O controle de necessidades fisiológicas é uma novidade que foi inventada pelas empresas de telemarketing em nome da produtividade. Como cada funcionário tem metas diárias de atendimento, cada minuto é precioso. Isso é legal? Eu achava que não, mas recentemente o Tribunal Superior do Trabalho (TST) me deixou em dúvida ao julgar dois recursos. A Sétima Turma do TST negou o pedido de indenização por danos morais de um funcionário que precisava de autorização para ir ao banheiro e tinha o tempo controlado. Em sua sentença, a juíza observou que a medida visava evitar a saída de muitos funcionários ao mesmo tempo. Já a Sexta Turma do TST julgou improcedente o recurso de uma empresa de telemarketing condenada por motivo semelhante: a funcionária tinha de explicar por que ficava no banheiro além do tempo permitido. Segundo o relator do processo, essa atitude era um “desrespeito à dignidade humana”, a situação era “degradante e vexatória”, e a empresa foi condenada a pagar R$ 5 mil de indenização. Então, a matéria ainda não está clara, mas nossa leitora pode ficar tranquila quanto a seus futuros empregos, desde que eles não sejam em empresas de telemarketing.

No mês passado, ocorreu a pesquisa de clima organizacional na empresa em que trabalho. As respostas são confidenciais, mas desta vez o processo foi diferente. A pesquisa foi organizada por uma agência contratada, que enviou por e-mail uma senha de acesso ao formulário de respostas. Respondi com sinceridade e critiquei o que achava injusto ou errado, depois fiquei preocupado: qual é o grau de probabilidade de a empresa identificar o autor das respostas?
É de 100%. Espero que a empresa use as respostas para tomar medidas que melhorem o ambiente de trabalho, e não para identificar os funcionários mais ácidos nas críticas. O que se fará com as respostas vai depender da intenção da empresa.

DICAS DO MAX Em Clássicos do mundo corporativo, Max ensina a se dar bem no trabalho (Editora Globo, R$ 12,50)


Fonte: revistaepoca.globo.com

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