Por que muitas mulheres interrompem a gravidez?

A interrupção voluntária da gravidez é um tema polêmico e controverso, e pouco discutido. Uma revisão de estudos sobre o tema analisa os motivos que levam a mulher a tomar essa difícil decisão. 

É um problema sério e relevante para muitas mulheres.

São muitos os motivos que levam uma mulher a abortar, ainda que nem sempre adequadamente estudados. Um interessante e recente estudo faz uma revisão das pesquisas que tentaram entender as razões que levam a mulher a realizar um aborto. Foram avaliados 19 artigos publicados no período de 1996 a 2008, que abordavam o problema apenas em países desenvolvidos. Segundo os pesquisadores é possível caracterizar 3 grupos de motivos.

  1. O primeiro eles denominaram de “razões centradas na mulher”, que incluem a ocorrência da gestação em momento inoportuno, o estado físico e mental da mulher, não desejar ter mais filhos tanto porque a família está completa ou porque não planeja realmente ter filhos.
  2. O segundo foi denominado de “razões materiais” e englobam os problemas econômicos da mulher e do filho que vai nascer.
  3. Finalmente, um terceiro grupo, foi classificado como “outras razões” e se referia principalmente ao relacionamento com o parceiro e com as demais pessoas do núcleo familiar e social. Em relação ao parceiro, as mulheres alegavam que a relação não era satisfatória ou que o parceiro, quando presente, não era maduro ou favorável à gestação.

Até aí muitas pessoas vão concordar, mas o estudo traz revelações surpreendentes. Uma delas é que esta divisão didática dos motivos não corresponde, no geral, à realidade das mulheres. Na maior parte das vezes, os motivos se mesclam, são complexos e inseparáveis. Elas, as mulheres, ao optaram pela interrupção da gravidez, pensam em suas necessidades, na participação de terceiros e mesmo no bem estar do futuro bebê. Sim, no bem estar da criança que poderia nascer. Os autores concluem que em, muitos casos, a decisão de abortar tem a ver com o desejo de vir a ser uma boa mãe.

Pode parecer paradoxal, e possivelmente é, mas nos convida a deixar o preconceito de lado, quando o assunto é aborto e compreender que para muitas mulheres a vocação para a maternidade existe antes do nascimento do filho.

Fonte: Uol

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