O Adolescente no mundo atual…

A adolescência é um processo, crítico e turbulento, de transformações e mudanças, pelas quais o ser humano passa, até atingir a vida adulta. O corpo do adolescente, agora capaz de uma sexualidade procriativa, interage com uma mente, onde o cenário é dor e angústia, sonhos e esperanças. Os apelos de seus impulsos sexuais emergentes, a constatação que é um indivíduo separado dos pais, a superação do sentimento de dependência e desamparo são fenômenos, com os quais, o jovem vai ter que lidar, em favor de seu desenvolvimento.

Agora, ele vai procurar descobrir quem ele é, este ser em potencial, com todas as dificuldades, satisfações e inquietudes que esta busca determina. Vai à procura de uma identidade própria, do sentido da vida e de sua própria existência, vivenciando seus potenciais e suas limitações.

Embora ele tema abandonar o casulo seguro e protetor do meio familiar, o mundo se apresenta como um desafio e uma atração irresistível.

A dependência começa a se romper e o jovem passa a se rebelar contra dois pólos: o ser criança e o ser adulto.

O adolescente, ávido de novos referenciais, tem necessidade de se voltar para os pares e para os grupos. Como vão ser supridas suas necessidades grupais, vai depender dos tipos de grupo que estão à sua disposição.

Essa experiência de socialização pode ser construtiva, ajudando o jovem a realizar seus anseios, suas aspirações e a expressar sua criatividade, ou, ao contrário, pode ser destrutiva, na medida em que for um espaço, em que, amparado pelo grupo, incentive sua agressividade e violência.

No mundo atual, a sociedade e a cultura encontram-se sem recursos necessários para dar conta do conjunto de transformações e necessidades, impostos pelos atuais processos de desenvolvimento.

As mudanças rápidas e constantes na sociedade, geradas pelos avanços tecnológicos, ameaçam a estabilidade necessária, para que haja uma convivência social harmônica, solidária, segura e coesa. O sentimento de continuidade se encontra ameaçado. O que tem valor é o “momento”.

A cultura do consumo, leviano e irresponsável, a banalização do sexo, das relações afetivas, da vida e da agressividade, veiculadas através da mídia e sustentadas por poderosos interesses de mercado, estimulam a conquista do prazer imediato e de um falso estado de plenitude e independência.

Existe uma grande falta de compromisso, quanto ao impacto psicossocial, que toda essa situação acarreta.

Os atos de vandalismo, as gangues, as pichações, os rachas, o uso de drogas são expressões da realidade social em que o adolescente se encontra. Os jovens desnorteados vivem a filosofia do “vale tudo”, num estado confuso, em que não sabe mais o que deve ou não fazer, como fazer, e, ainda, não consegue diferenciar o bom do mau, o certo do errado, o construtivo do destrutivo. E o pior, é que eles não tem a quem recorrer, pois a sociedade se encontra como ele, confusa, perdida, desnorteada…

É preciso estar alerta para isso, para que o jovem adolescente não seja um vítima de nosso tempo.

Se faz necessário recuperar nossa capacidade de “pensar” e se “questionar” frente aos “verdadeiros e profundos” valores da vida.

O amor, a solidariedade, a moral e a ética necessitam ser resgatados, para que o adolescente, em sua vulnerabilidade, possa adquirir modelos de identificação, que o leve a um processo de experiências, que possam prepará-los para uma sobrevivência sadia e para propagação da sua espécie.

 

 

Por: Maria Elizabeth Jereissati Ary/wmulher

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