Medidas simples evitam corrimentos

CANDIDÍASE

Os corrimentos vaginais são apontados como um dos problemas mais freqüentes entre as mulheres. Fatores múltiplos predispõe essa alteração, principalmente o uso de roupas apertadas e tecidos sintéticos

A recomendação unânime é usar roupas que não comprimam a região genital. As calças não precisam ser abolidas, mas os tecidos devem ser leves, mais apropriados para a temperatura do Estado.

Na calcinha, uma secreção atípica. A mulher sente coceira intensa, que pode ser acompanhada de irritação na área genital e dor durante o sexo. Os sintomas são de um problema que lidera as queixas nos consultórios ginecológicos: os corrimentos vaginais. De acordo com o ginecologista Edson Lucena, a candidíase, também conhecida como monilha, é um dos problemas mais comuns que poderia, na maior parte dos casos, ser evitado com a adoção de medidas simples.

Há outras causas que podem predispor a mulher ao problema, como gestação, ingestão exagerada de condimentos, diabetes e até uso de pílulas anticoncepcionais, que alteram os níveis de acidez da vagina. Mas são as roupas justas, de tecidos sintéticos, apontadas como principais vilãs. A chefe do Departamento de Saúde Materna Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Sílvia Bonfim, explica que a vagina é úmida e tem uma flora bacteriana ácida para proteger o órgão da contaminação por micróbios da pele ou na relação sexual.

Calças jeans ou roupas muito apertadas de tecidos como lycra impedem a ventilação dessa área, levando à fermentação do muco natural. Situação que favorece a instalação de fungos e bactérias. Daí, surgem os corrimentos. ”Estamos em um clima quente e não podemos utilizar o mesmo vestuário de climas mais frios. A mulher pode seguir a moda, fazendo adaptações”, defende ela.

Além da umidade, da secreção natural, a vagina pode apresentar esperma depositado. Segundo a médica, cerca de dois terços do sêmen ejaculado pode ficar coagulado na mulher por até mais de 24 horas depois da relação sexual. Um mecanismo da natureza para facilitar a gravidez.

O ginecologista Sérgio dos Passos Ramos acrescenta que a região genital é semelhante a das axilas. Com um agravante: ”Além do líquido do suor, também tem urina, que por melhor que seja a higiene sempre fica um pouco. Há uma secreção normal e também restos de fezes do ânus. Quando se usa roupas inadequadas faz uma mistura de culturas, que faz mal para a saúde”.

A recomendação unânime é usar roupas que não comprimam a região genital. As calças não precisam ser abolidas, mas os tecidos devem ser leves, mais apropriados para a temperatura do Estado. Por mais atraente que possa parecer uma lingerie de lycra, a melhor opção para a saúde e bem estar feminino são as calcinhas de algodão. Elas devem ser lavadas sempre com sabão de coco ou neutro. O uso de amaciantes e água sanitária é contra-indicado. ”Esses produtos ficam na fibra do tecido e podem levar ao desenvolvimento de vaginites químicas”, alerta o ginecologista Frederico Perboyre.

O presidente da Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia, Fernando Aguiar, alerta que corrimentos aparentemente simples podem se agravar, levando a inflamações no útero, trompas e ovários. Em alguns casos pode comprometer a fertilidade e até levar a intervenções cirúrgicas. ”A principal orientação é, ao sentir corrimento diferente do normal, procurar imediatamente um médico e jamais fazer a auto-medicação”, orienta. (Débora Dias)

CUIDADOS COM A SAÚDE ÍNTIMA

– Use sabonete neutro ou produtos apropriados para a higiene da região genital. Evite os sabonetes comuns e os que contém cremes hidratantes. Esses são ótimos para a pele, mas péssimos para a vagina. Pode-se ter dois sabonetes, um para as mucosas, outro para o resto do corpo.

– Evite desodorantes íntimos e produtos como talcos e perfumes.

– Evite excessos, como lavagens exageradas na região genital, que podem retirar a proteção natural da vagina.

– Use roupas leves, que não comprimam a região genital.

– Evite o uso excessivo de tecidos sintéticos e jeans.

– Dê preferência a calcinhas de algodão em relação às de tecidos sintéticos, como a lycra.

– Lave as calcinhas com sabão de coco ou sabonete neutro. Não use amaciante, nem água sanitária nas peças. Do contrário, é preciso se certificar de que não restaram resíduos dos produtos no tecido.

– Seque a roupa íntima em locais secos e arejados, de preferência expostas ao sol. Não deixe as calcinhas secarem em banheiros e outros locais abafados.

– Não passe muito tempo com biquinis molhados.

– A depilação deve ser feita de forma cautelosa. É preciso observar as condições de higiene do local que oferece o serviço e se certificar que a cera é descartável. Antes e após o procedimento deve ser feita a limpeza da área para evitar a contaminação por germes.

– Durante a menstruação, troque o absorvente quantas vezes for necessário, dependendo do fluxo, e com um mínimo de três vezes. A cada troca, fazer a higiene local.

– O uso de absorventes diários não é recomendado. Eles impermeabilizam e impedem a transpiração da região genital, favorecendo a instalação de fungos e bactérias.

– Absorventes internos podem ser usados desde que trocados com regularidade.

– Evite papel higiênico colorido ou perfumado. Eles podem agredir a mucosa.

– Jamais use duchas vaginais sem prescrição médica.

– Não use o chuveirinho do vaso sanitário para lavar a vagina internamente. A água remove as bactérias e torna a área mais suscetível a infecções.

– A mulher possui uma lubrificação natural. Procedimentos que deixam a área genital ressecada podem levar a pequena rachaduras que são fonte de infecção.

– O lubrificante íntimo pode ser uma boa alternativa para manter a lubrificação da mulher durante a relação sexual.

– Procure sempre um médico aos primeiros sintomas atípicos e nunca faça a auto-medicação.

– Procure um médico regularmente, de seis em seis meses a um ano, para realizar os exames ginecológicos. Atenção: a prevenção é o conjunto de todos os procedimentos durante a consulta, incluindo a conversa com o ginecologista. Não apenas o exame citológico ou das mamas.

– Para quem se sente à vontade, dormir sem calcinha é uma boa oportunidade para a pele da região genital respirar.

 

Fonte: Os ginecologistas Frederico Perboyre, Sérgio dos Passos Ramos, Edson Lucena, Fernando Aguiar, Sílvia Bonfim | Site: gineco

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