Desertas, paradisíacas ou distantes, belas praias do nosso litoral brasileiro

As dez pérolas (quase) intocadas do litoral brasileiro: Desertas, paradisíacas ou distantes, as praias quase obrigatórias a serem exploradas e (bem) aproveitadas pelo país.

Já ouviu falar em Guariju? Ou Ponta do Mel? Agora você vai descobrir praias para curtir um verão que só não fará a cabeça dos adolescentes: elas tem tudo de sossego e nada de agito.

O litoral brasileiro possui mais de 8.000 quilômetros de extensão com mais de 2050 praias. Mas, em todo este território alguns segredos estão guardados nos destinos que você poderá conferir a seguir:

Em São Miguel dos Milagres, durante a maré baixa, nascem às piscinas naturais e as represas volúveis, por onde circulam peixes vistos a olho nu.

Em São Miguel dos Milagres, durante a maré baixa, nascem às piscinas naturais e as represas volúveis, por onde circulam peixes vistos a olho nu.

S. Miguel dos Milagres – Alagoas

Coisa de novela.

Jose Shirk, diria: “Parece Dias Gomes”. Parece mesmo. São Miguel dos Milagres, em Alagoas, tem só 7 mil almas. Mesmo assim, foi elevada a condição de cidade, em um daqueles arranjos dignos de Odorico Paraguaçu. Seu nome deriva da história de um pescador. Depois de içar uma imagem de São Miguel Arcanjo, ele foi agraciado com a cura instantânea de uma ferida que teimava em não fechar. Houve romarias – como no caso de Roque Santeiro, inesquecível sucesso da teve dos anos 80.

Assim como a cidadezinha, seus 7 quilômetros de praias também parecem ficção. Na maré baixa, os corais revelam uma nudez comparáveis a de uma jovem estrela de novela (Sandra Brea em Bem Amado? Lidia Brondi em Roque Santeiro? Camila Pitanga em qualquer sequência?). A cidade de São Miguel é simplória. Mas sua pobreza, nada chocante, se encaixaria numa novela das 9. O fotógrafo Sebastião Salgado esteve hospedado na Pousada do Toque, rodou pela cidadezinha e, ao que se saiba, não tirou sua câmera Leica da mala. Venha até aqui aproveitar os novos capítulos.

Sem as tais dunas ou falésias, Galinhos tem por atributo a península com mar sereno azul-calcinha, um farol e duas graciosas lagoas temporárias.

Sem as tais dunas ou falésias, Galinhos tem por atributo a península com mar sereno azul-calcinha, um farol e duas graciosas lagoas temporárias.

Galinhos – Rio Grande do Norte

Difícil de chegar. Mais ainda de deixar.

Ao falar sobre a Praia de Galinhos é preciso, primeiro, fazer algumas ressalvas. Primeiro, o acesso é complicado — e põe complicado nisso. Em segundo lugar, não há falésias, nem dunas próximas, nem nada de monumental na paisagem. Além disso, o transporte mais utilizado pelos visitantes é a carroça puxada por jegue. Aliás, não há outro. Se você pensa na comodidade das férias, decerto criou resistências. Mas dê algum crédito. Galinhos merece. Se chateia a alguns, a dificuldade de acesso torna Galinhos uma exclusividade.

O critério de beleza é sempre subjetivo, mas esta praia potiguar, a 166 quilômetros de Natal, costuma ser considerada a mais bonita do trecho entre as celebradas Pipa (no Rio Grande do Norte) e Canoa Quebrada (no Ceará). Ao contrário delas, seu forte é a simplicidade. Sem as tais dunas ou falésias, a praia tem por atributo a península com mar sereno azul-calcinha, um farol e duas graciosas lagoas temporárias, formadas pelo balanço da maré entre os meses de setembro e março. Ah, ninguém se esquece de fotografar no fim do dia, quando a luz incinde nas lagoinhas.

Um dos maiores encantos de Tibau do Sul é ver o pôr-do-sol da Lagoa Guajaíras.

Tibau do Sul – Rio Grande do Norte

A mana mais velha sabe das coisas.

Há casos em que dois irmãos talentosos exercem o mesmo ofício, mas, no decorrer dos anos, o mano mais novo, embora menos experiente, acaba superando — em muito! — a fama do mais velho. É esse também o caso de Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, irmã mais velha da Praia da Pipa. Já em meados do século passado, a cidade era conhecida pelas falésias coloridas. De tão clara, uma delas gerou o batismo da Praia do Giz. Eram os tempos em que a vizinha Praia da Pipa não passava de uma área deserta do município. Só mesmo Paulo Coelho, então ainda um bebê sem cavanhaque, ousaria imaginar que Tibau, a cidade, se recolheria a modéstia; enquanto Pipa, mera edícula, se tornaria internacional a ponto de sua casa de câmbio trocar coroa sueca e dólar nezelandês.

Enfim, ao contrário de Pipa, Tibau não tem trânsito nem muvuca, ou o clima de flerte pairando na atmosfera, que seu irmão adolescente adora. Se você, mesmo mais experiente, também cultua esses pormenores, não se exaspere. Pipa fica a apenas 15 minutos de carro.

Ponta Grossa é o resumo das belezas do Nordeste, o lugarejo tem dunas, falésias e mar cintilante.

Ponta Grossa – Ceará

Para gourmets com orçamento de botequim.

Tem dunas, como em Jericoacoara. Tem falésias, como no sul da Bahia. Tem jangadeiros, como na maior parte do Nordeste. Mas é preciso fazer a distinção: cada um desses atributos revela um rosto bem diferente, muito próprio, na vila de Ponta Grossa, incrustada no município de Icapuí (já ouviu falar?), no Ceará. As dunas, por exemplo. De acordo com a incidência do Sol, elas vão ganhando um tom a cada momento mais amarelado. No começo do dia, tornam-se um terraço e tanto para apreciar a panorâmica.

Os jangadeiros seriam iguais a outros tantos de um vilarejo caiçara. Grande parte habita a comunidade de 64 famílias que, casam-se entre si e escolheram para morar um fim-de-mundo a 40 quilômetros de Canoa Quebrada (dá para encarar de buggy) e a longínquos 200 quilômetros de Fortaleza.

A diferença desses jangadeiros e o fruto do trabalho: de abril e dezembro, eles se especializam na pesca da lagosta. Em Ponta Grossa, portanto, a frescura não está, na hospedagem. Há apenas pousadinhas familiares. O privilegio é devorar lagostas fresquinhas — na manteiga e no alho, sem aqueles molhos fresquérrimos — a preços adoráveis, que você não encontra em Jericoacoara, no sul da Bahia ou em qualquer outro pedaço do Nordeste.

Para ver a Foz do São Francisco - e o velho farol – é preciso contratar um barqueiro no município de Piaçabuçu, pouco depois de Penedo.

Para ver a Foz do São Francisco - e o velho farol – é preciso contratar um barqueiro no município de Piaçabuçu, pouco depois de Penedo.

Foz do São Francisco – Alagoas

Um rio de muitas histórias.

Passar uns dias em Penedo já é uma surpresa. Nem todo mundo já ouviu falar do valiosíssimo patrimônio histórico dessa cidade esquecida, a 160 quilômetros de Maceió. Penedo é quase uma Paraty nordestina, embora, com menos conforto de hospedagem. Ela reúne nada menos de quatro igrejas erguidas entre os séculos 17, 18 e — incluindo a Igreja Nossa Senhora das Correntes, de fachada barroca e considerada a mais bela do Brasil por Germain Bazin, diretor do Museu do Louvre. Sem contar outras construções dos velhos idos, como o bem conservado sobrado que hospedou D. Pedro II, em 1859.

Fincada a beira do Rio São Francisco para escoar a produção do interior do país, Penedo ainda mantém o casario do velho porto. Também conserva velhas histórias, como as de Toinho Pescador, líder comunitário, que adora entoar versos celebrando o paturi, um pato selvagem caçado a chumbo. O prato é saboroso. Mas requer cuidado para não engolir chumbo, ipsis literis, durante a refeição.

Em Picinguaba, as pousadas compram os frutos do mar diretamente dos pescadores e os passeios também são naturais.

Em Picinguaba, as pousadas compram os frutos do mar diretamente dos pescadores e os passeios também são naturais.

Picinguaba – São Paulo

Segredo desvendado. Mas nem tanto.

Encontrar a calma Praia de Picinguaba não requer mapas rodoviários. Fincada entre as duas maiores metrópoles do Brasil — no Litoral Norte de São Paulo, quase na divisa com o Rio de Janeiro -, o lugar de areias delicadas e águas de folheto publicitário é conhecido dos viajantes da Rodovia Rio-Santos. Os estrangeiros descobriram um segredo e não contam para ninguém: a Pousada Picinguaba, a melhor da praia, disparado. Poucos brasileiros a conhecem.

Em Picinguaba, as pousadas compram os frutos do mar diretamente dos pescadores e os passeios também são naturais. A trilha até a Praia da Fazenda dura só 10 minutos, mas é suficiente para sentir o frescor da mata e chegar a uma das praias mais preservadas do litoral paulista — esta, sim, um segredo e tanto da orla.

Em Ponta do Mel, a junção do oceano com a caatinga não expressa apenas nos contornos geográficos. Os costumes interioranos também se misturas à vida caiçara.

Em Ponta do Mel, a junção do oceano com a caatinga não expressa apenas nos contornos geográficos. Os costumes interioranos também se misturas à vida caiçara.

Ponta do Mel – Rio Grande do Norte

Aqui o sertão vira mar.

Coisas estranhas acontecem no litoral do Rio Grande do Norte, onde são produzidos 90% do sal do país. Em outras regiões do Nordeste, o sertão fica distante do litoral. Em Pernambuco, é preciso atravessar a Zona da Mata e a do Agreste para encontrá-lo, a mais de 100 quilômetros da orla. Na Ponta do Mel, como na profecia de Antônio Conselheiro, o sertão vira mar.

Acredite: os arbustos retorcidos da caatinga estão a menos de 500 metros do oceano. E quase uma miragem.

Joatinga fica em plena Zona Sul carioca, mas permanece tão tranqüilo que há quem faça topless.

Joatinga fica em plena Zona Sul carioca, mas permanece tão tranqüilo que há quem faça topless.

Joatinga – Rio de Janeiro

Que lpanema que nada!

Os cariocas dirão que considerar Joatinga — para eles, Joá — um segredo e tão absurdo quanto a defesa do Vasco. Para os visitantes, porém, é difícil imaginar que estamos em plena cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro em um tórrido fim de semana. Esqueça as barraquinhas, os ambulantes, o biscoito Globo e a bolinha de frescobol que, por pouco, não bateu na orelha da beldade de Ipanema. Na Praia de Joatinga, o sossego é o de um Rio machadiano.

O Hotel Fazenda da Lagoa, antiga fazenda de cacau, é hoje, a única hospedagem da isolada Praia da Una.

O Hotel Fazenda da Lagoa, antiga fazenda de cacau, é hoje, a única hospedagem da isolada Praia da Una.

Praia do Una – Bahia

O refúgio das estrelas.

Esqueça a Praia do Una paulista. Há outra na Bahia. O mais surpreendente: ela esta a somente 15 quilômetros ou a meia-hora de carro de Comandatuba. Sim, Comandatuba, a ilha em que está instalado o Transamérica, o maior resort do litoral do país.

O Hotel Fazenda da Lagoa, como o nome adianta, foi uma fazenda de cacau. Hoje, é a única hospedagem da isolada Praia do Una. Os descolados chalés ficam escondidos em meio ao mangue e os coqueirais.

Daí já terem feito o check in no hotel estrelas da refulgência de Marco Nanini, Camila Pitanga e Carolina Dieckman. Ao que consta só os funcionários da pousada pediram autógrafos.

Escondida a 140 quilômetros de Fortaleza, Guajiru está distante o bastante para garantir o descanso. Mas nem tanto a ponto de inviabilizar a viagem.

Escondida a 140 quilômetros de Fortaleza, Guajiru está distante o bastante para garantir o descanso. Mas nem tanto a ponto de inviabilizar a viagem.

Guajiru – Ceará

Nem tão longe, nem tão perto.

São menos de duas horas, seguindo pela Rodovia Costa do Sol Poente. Quando você se dá por si, já está na frente da praia, bebericando uma caipirinha e degustando aquele camarãozinho frito. A vila de pescadores tem só 4 mil habitantes, de forma que ainda resistem coqueiros, dunas e a vasta faixa de areia brincando de espelho d’ água.

Se Guajiru garante o sossego, as praias vizinhas — Barra do Rio Mundaú e Fleixeiras — acenam com mundanas opções de passeio e gastronomia.

De volta a Guajiru não há muito o que fazer. Caminhar na praia, ver os pescadores trazendo as redes, marcar o compasso do ritmo das marés, dormir ouvindo o barulhindo das ondas. Não é programa para crianças. Casais em busca de um cantinho se dão melhor.

fonte: veja galeria de imagens em msn
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