O relato de um pai que assistiu ao parto normal das filhas gêmeas

Emoções na madrugada

Adoro crianças e sempre quis ser pai. Quando a Priscilla engravidou, foi uma alegria. O que ainda não sabíamos é que a vida havia nos preparado uma surpresa: eram dois bebês. Sou produtor de televisão e tinha uma transmissão ao vivo para organizar justo na hora do primeiro ultra-som, então concordamos que ela iria sozinha. Faltando três minutos para o programa entrar no ar, ela ligou. Fiquei tenso na hora: “Aconteceu alguma coisa?” A Pri me garantiu que estava tudo bem, então eu disse que ligaria de volta em três minutos, mas repeti a pergunta. Foi aí que ela falou: “Está tudo bem, mas são dois”. Comecei a gaguejar e a chorar. A equipe parou. Eu disse: “Toquem o barco, porque eu vou ter gêmeos!” Foi uma festa.Muita gente me dizia que ser pai de gêmeos era difícil, trabalho dobrado. Nunca pensei dessa maneira; só conseguia imaginar alegria em dobro, carinho em dobro, beijos em dobro… A gravidez foi ótima: a Priscilla trabalhou quase até o final e eu a papariquei tudo o que pude. Me mantive calmíssimo até a madrugada em que ela me acordou e falou baixinho: “A bolsa estourou!” Estava de 37 semanas. Avisamos a família e fomos para o hospital.Era 1h30 da manhã e felizmente não tinha que me preocupar com o trânsito de São Paulo. Sentada no banco da frente, a Priscilla sentia dor – as contrações haviam começado. O médico já havia dito que provavelmente seria cesárea e nem pensávamos em parto normal. Ao chegar à maternidade, a obstetriz constatou que minha mulher tinha três dedos de dilatação e ligou para o médico, que disse que “estava vindo”. Na verdade, como ele mesmo nos contou depois, a idéia era chegar lá pelas 6 da manhã (eram 2 e pouco) para fazer a cirurgia. Não deu tempo: às 4h, a Pri já tinha oito dedos de dilatação. O médico veio correndo e, já que tudo ia bem, recomendou parto normal.

Eu sabia que a Pri tinha medo da dor, por isso entrei na sala de parto brincando, tentando quebrar o gelo. Mas ela estava serena. Havia um monte de gente explicando o que tinha que fazer, então eu só acariciava o rosto dela e de vez em quando perguntava se estava tudo bem para mostrar que eu permanecia ali do lado. A gente perde a noção de tempo na sala de parto, mas hoje acho que não se passaram nem dez minutos entre a minha entrada e o nascimento da Mariana. Foi na terceira grande contração. De onde estava, não enxergava o corpo da Priscilla, mas vi minha primeira filha nascer e o médico cortar o cordão. Era o momento tão aguardado, tão único na vida: estava sendo apresentado às minhas filhas depois de nove meses imaginando como elas seriam. O médico perguntou como se chamaria. Tínhamos combinado: Mariana foi o primeiro nome que escolhemos, e seria o da primeira a sair. Quando dissemos o nome, desmontei. Mas me segurei rápido, afinal a segunda estava a caminho. Dois minutos depois, nasceu a Isabella. Chorei de felicidade e de alívio por ter dado tudo certo.As meninas nasceram com 2.150 e 2.120 gramas. Ficaram dois dias na UTI, mas tiveram alta conosco. Na semana seguinte voltei ao trabalho e a Pri, com o auxílio da mãe, está segurando a onda. Ajudo muito, mas nada que se compare à dedicação da Priscilla. Se antes eu já a admirava, hoje essa admiração deu um salto. É uma grande mulher, corajosa e sensível. Ainda não falamos sobre ter mais filhos, mesmo porque, como há incidência de gêmeos na família dela, podemos saltar de pais de duas para pais de quatro… O que sei é que, se acontecer, estarei de novo na sala de parto com ela. É um momento que nenhum pai deveria perder.

fonte: claudia

foto ilustrativa*

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