Mãe coruja, pai ciumento

A chegada do primeiro filho pode despertar no homem um sentimento que não combina com a emoção da paternidade: a competição

É fato: os homens, em sua maioria, não estão preparados para a fase da vida que começa com a gravidez da mulher. Por mais felizes que se sintam, ficam perplexos e sem saber como agir. E é normal que tenham um papel secundário nessa hora. “As dificuldades habituais da gravidez e dos primeiros meses de vida do bebê, as alterações no relacionamento sexual com a mulher nesta fase, tornam esse período muito delicado para o relacionamento do casal”, esclarece a psicóloga Giselle Melo, do Rio de Janeiro. Para ela, a atenção da mulher, antes exclusiva para o marido, agora é dividida com o filho. “O pai é obrigado a aprender sozinho a lidar com o ciúme que muitas vezes aparece nessa situação”, completa. É fundamental que o pai conheça essa realidade, esteja preparado e procure se adaptar para seu novo papel e a nova fase de sua vida. O ciúme é um sentimento universal, que acompanha o ser humano do nascimento à morte. De pouco adianta disfarçá-lo. Seus sinais, inconfundíveis, podem ser observados a olho nu. Na forma mais branda, ele aflora na cara emburrada. Na mais agressiva, alimenta o noticiário policial com manchetes de arrepiar. O ditado popular o justifica como o “tempero do amor”. Os psicoterapeutas, que lidam diariamente com ele por meio do relato dos seus pacientes, discordam. “O ciumento sofre muito, principalmente quando perde o controle sobre o que está sentindo”, explica a psicóloga Giselle. É muito comum pai sentir ciúme de filho. A sensação de perder a atenção da mulher é associada à idéia do fracasso pessoal.

Atenção em disputa

Já a mulher espera do homem que ele seja realmente um companheiro, não um amante. Com isso, o marido sente-se rejeitado sexualmente. A situação pode abalar muitos relacionamentos. Mas não é difícil superá-la, desde que se tome alguns cuidados.

A chegada do filho é a realização de um momento muito aguardado e traz muita felicidade, mas impõe mudanças que podem pôr a vida do casal em rebuliço. A mulher tem papel fundamental nesses momentos. Atenta e carinhosa, é ela que vai administrar a confusão com negociações e flexibilidade. E, mesmo tendo feito isso tudo, ainda poderá ser surpreendida por outro tipo de ciúme na família, sobretudo se tiver uma filha: “A menina pode passar por uma fase de disputa da atenção do pai. Inconsciente, ela declara guerra à presença da mãe”, explica a psicóloga Giselle Melo. “Entender o que está acontecendo e dar ao problema sua devida proporção, ou seja, saber que se trata de uma fase de ajustes, normal e transitória, pode ajudar a superar a revolução que os filhos podem causar na vida do casal”, completa a especialista.

Sempre presente

O melhor modo de superar os sentimentos negativos que possam vir com a cegonha é ser um pai participativo. Acompanhar todos os acontecimentos, do curso pré-natal às consultas com o obstetra, assistir ao parto, ir às consultas com o pediatra é o melhor caminho para que o pai se sinta importante para o filho que chega. É difícil conciliar tudo com a responsabilidade do trabalho, mas tem de haver o máximo de esforço nesse sentido, pois vale a pena. Dessa forma, estará ocupando um espaço que é legitimamente dele, além de dar à companheira o apoio que ela necessita e espera. Muitos homens chegam a sentir inveja do papel maternal e até se afastam do bebê. A tendência, felizmente, é que a inveja e o ciúme se diluam à medida que o pai desenvolve interesse pela criança e começa participar dos cuidados diários.

Por Ana Paula Domingues / mdemulher

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