Psicologia da Boa Forma

Muitas alunas ficavam intrigadas quando se deparavam com um professor psicólogo no curso de estética. Para que isso? O que esse “cara” teria a ensinar? Qual a relação entre cuidados psicológicos e cuidados estéticos? Essas eram apenas algumas questões que surgiam no início das aulas, e que felizmente, eram respondidas ao longo do programa.

Foi durante os quatro anos em que estive envolvido como docente nos cursos de formação técnica do SENAC, em diversas áreas de saúde e bem estar, e em especial nos Cursos Técnicos de Estética, que passei a interessar-me profundamente pelas questões psicológicas relacionadas à Boa Forma.

Minha especialização clínica, a Gestalt-terapia, também contribuiu muito para este interesse, sendo que a palavra alemã “gestalt” significa “forma”, “todo”, “configuração”… E é interessante a quantidade de relações que podemos perceber entre a “boa forma” ou a “estética” psicológica e a boa forma e a beleza do corpo.

Todas as pessoas são movidas por um padrão estético, uma orientação natural para a beleza e o belo. Essa busca é muito enfatizada em nossa sociedade através dos diversos tratamentos e cuidados disponíveis em relação à beleza física. Vivemos um momento em que cuidar da boa forma é fundamental.

A gestalt-terapia tem um enfoque “integrativo” em relação ao organismo. Concebe o indivíduo de forma completa: corpo e “mente” numa unidade funcional, ou seja, é impossível separar quem somos em partes. Somos um todo, e devemos cuidar da boa forma de maneira total.

É muito comum uma cliente que inicia o tratamento estético estar buscando também uma “virada” na sua vida. Muitas delas passam a cuidar do corpo em busca de uma “revalorização” do ser como um todo. O desenvolvimento da auto-estima é um fator freqüentemente abordado nas clínicas de estética. E este fator demonstra claramente a relação entre o “externo” e o ‘interno” das pessoas.

Além da imagem que se reflete no espelho, há também uma imagem interna: o “como a pessoa se vê”. E esta visão vai além de características físicas. Trata-se de um conjunto de imagens e crenças sobre ela mesma, sobre sua existência e suas possibilidades de ser e de realizar no mundo. Aqui encontramos muitas possibilidades, mas também muitos bloqueios. O padrão “estético” psicológico muitas vezes sofre grandes prejuízos devido a diversos fatores da cultura e da criação. Muitas pessoas tornam-se “feias” por dentro. Sentem-se vazias, não-merecedoras de amor, deprimidas, impotentes, incapazes de se entregar aos prazeres da vida ou mesmo de progredirem em direção aos seus objetivos (pessoais, profissionais, sociais, etc.)

Em meu trabalho, como psicólogo da “boa forma”, busco resgatar a estética interna dos clientes (homens e mulheres). Busco a promoção da saúde e do bem-estar que se revela na capacidade de integrar “dentro” e “fora” com equilíbrio e harmonia. Busco “devolver” a orientação natural para o belo, que se traduz em escolhas de vida que satisfaçam também os anseios por crescimento e felicidade.

Uma pessoa que se reencontra com a fonte de equilíbrio interno, reencontra-se também externamente. O corpo reage a todas as manifestações emocionais. O metabolismo funciona em conjunto com o psiquismo. O coração bate no mesmo compasso que a tristeza ou a alegria. A pele revela o que há por dentro de todos nós. O melhor exemplo está no que ocorre com os “apaixonados”.  Tudo fica mais belo, dos pés aos cabelos. É como se o “brilho” que toca o coração, se espalhasse por todo o ser, iluminando… acendendo… vitalizando e inundando de beleza…

Meu trabalho psicológico consiste em colaborar com as esteticistas, despertando o amor próprio, a fonte maior de toda beleza…

 

mulhermais

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