Baixa autoestima reduz oportunidades no trabalho e pode levar a depressão

A baixa autoestima, cultivada por um longo período pode culminar em uma depressão forte, sendo possivelmente tratada com medicamentos e terapia. Mas antes de se tornar grave, a baixa autoestima já impede a pessoa de dá passos mais largos seja no relacionamento ou no trabalho, por exemplo. A insegurança pode ser responsável por fazer você deixar passar exclentes oportunidades por medo de não ser capaz.

O impacto que a baixa autoestima traz para a rotina profissional pode ser muito grande. O problema é tão grave que alguns psicólogos denominam o sentimento em excesso de “síndrome do impostor” – sensação de que a qualquer momento alguém vai descobrir que o trabalhador é uma “fraude”.

Essa denominação, explica a psicóloga Anete Souza Farina, pesquisadora do Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho do Departamento de Psicologia Social da USP (Universidade de São Paulo), não é oficial. “[Baixa autoestima] não se trata de um quadro de síndrome”, afirma.

Apesar disso, a psicóloga diz que existem quadros mais agudos de baixa autoestima, que podem levar à depressão, como ocorreu com Ferrutti. Quando isso acontece, todos os campos da vida ficam comprometidos. Na área profissional, predomina a paralisia.

Segundo as psicólogas, a desvalorização da própria imagem é desenvolvida a partir das percepções que a pessoa acumula ao longo de sua vida. “Ninguém nasce com baixa autoestima. Isso é um produto social”, afirma Farina. “A história pessoal e a forma como o fracasso e o sucesso foram tratados durante a vida influenciam nesse aspecto.”

O temor de se expor deixa o profissional ainda mais vulnerável. “Ele projeta esse medo para o exterior e deixa as oportunidades passarem”, destaca a psicóloga e consultora comportamental em carreira Meiry Kamia, diretora da Human Value Consultoria.

A comparação constante com outras pessoas e a certeza de que não é capaz de enfrentar um novo desafio eleva a ansiedade daqueles que têm o problema. O resultado é o isolamento.

“O profissional não consegue mostrar para as pessoas que tem potencial, porque o ambiente o intimida. Então, ele adota uma postura defensiva, se boicota e não produz tudo o que precisa e pode produzir”, afirma Matilde Berna, diretora da área de gestão e transição de carreira.

E quanto a produtividade no trabalho?

A falta de confiança também eleva o tempo de execução das tarefas. Para o gerente de projetos do Idort-SP (Instituto de Organização Racional do Trabalho), Danilo Afonso, a consequência negativa mais imediata da baixa autoestima no trabalho é a queda da produtividade. “Quem tem o problema, põe o pé no freio”, afirma.

Identificar o problema e auxiliar na resolução depende, em parte, de alguém de fora, que possa identificar como a pessoa costuma atuar, como alcança os resultados e a qualidade de seu trabalho.

A partir daí, o funcionário precisa entender o problema, o quanto ele afeta o seu trabalho e, principalmente, uma razão para encontrar a saída.

Os dois filhos de Ferrutti foram os motivos que levaram a esteticista a resolver seu problema. Por eles, ela saiu do estado de paralisia na qual se encontrava e bateu de porta em porta para realizar o seu trabalho, até encontrar um local fixo, no salão de um amigo.

“Comecei a atender em domicílio, mas ainda com muito receio de que não daria certo. Acho que dei aquela guinada”, diz.

O autoconhecimento, diz ela, foi essencial na busca por uma solução. Para Rittner, da PUC-SP, o primeiro passo é “tentar se conhecer bem, não depender muito do outro, mas contar com pessoas de confiança”.

Saiba como identificar o problema:

* Medo excessivo de enfrentar desafios
* Sensação de fracasso constante
* Necessidade de se isolar
* Certeza de as conquistas são frutos da sorte
* Sensação de paralisia

Consequências que influenciam na rotina de trabalho:

* Queda na produtividade
* Receio de trocar informações
* Redução da rede de contatos
* Perda de oportunidades profissionais


Fonte: Folha de S. Paulo

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