Vale a pena largar tudo por amor?

Você lutou muito para chegar onde está. Anos de estudos, trabalho e dedicação até conseguir um lugarzinho no mercado de trabalho. Mas, de repente, talvez você queira jogar tudo isso pro ar. Não, você não está louca; simplesmente decidiu largar tudo para viver ao lado de seu amor.
“Acompanhar o parceiro não é um papel que a mulher deve desempenhar. Esta é uma opção”, ressalta a psicóloga Kelen de Bernardi Pizol. No entanto, a especialista concorda que o homem espera que a sua parceira o acompanhe. “Essa ainda é uma questão social machista”, completa.

Nem sempre é possível para a mulher renunciar ao emprego. Neste caso, e se a distância não for separada por oceanos ou milhares de quilômetros, há uma saída que fica no meio do caminho. “O casal pode combinar encontros nos finais de semana”, aconselha Kelen.

É dessa maneira que vive Carla*, 32 anos. Ela está casada há nove anos e é mãe de dois meninos. O pai das crianças, o engenheiro Pedro*, trabalha e mora em São Paulo de segunda a sexta-feira, enquanto Carla permanece no interior onde é gerente de uma empresa de transportes.

“Eu o incentivei a aceitar o emprego na capital porque o salário era bem maior que o oferecido aqui no interior. Também por causa do emprego, não poderia simplesmente sair da minha cidade. Fizemos essa escolha pelos meninos. É um sacrifício, mas vale a pena, pois é dessa forma que mantemos o padrão de vida da nossa família”, conta.

“Casais que compartilham gostos e interesses resolvem facilmente o impasse. Ela vai e se engaja no projeto do parceiro; ou ele fica e ambos desenvolvem um projeto em comum; ou ainda, na pior das hipóteses, ele vai, ela fica, e na volta, a relação fica mais intensa porque há amor”, opina a psicoterapeuta transpessoal Suely Molitérno.

Segundo Suely, a decisão vai além de acompanhar ou não o amado. “O problema não é a distância; é o vínculo, a afinidade, o respeito à liberdade do outro para crescer, e os projetos em comum. Isso é que dá solidez a um relacionamento”, completa.

Na opinião de Kelen, o importante é a mulher estar segura e evitar questionamentos tardios. “É preciso ter maturidade para que, em um momento de crise, ela não jogue suas frustrações na cara do parceiro.”

Serviço:
Kelen de Bernardi Pizol – psicóloga
www.psicoterapiacognitiva.com.br

Suely Molitérno – psicoterapeuta transpessoal
www.suelymoliterno.com.br

* os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.

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